Se a tua dor
é a minha,
se a tua história
intersecciona a minha,
se os teus machucados
cabem nos meus,
se a tua distância
tem a mesma grandeza da minha,
o que acontece
quando colocamos tudo lado a lado?
As ausências se somam
ou se anulam?
Ausências e pequenas permanências
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Se a tua dor
é a minha,
se a tua história
intersecciona a minha,
se os teus machucados
cabem nos meus,
se a tua distância
tem a mesma grandeza da minha,
o que acontece
quando colocamos tudo lado a lado?
As ausências se somam
ou se anulam?
sexta-feira, 12 de junho de 2026
É difícil saber
que eu serei ninguém
na sua vida.
Que você vai conhecer outras pessoas.
Amar outras mulheres.
Que vai sorrir ao lado delas
e repetir baixinho
palavras que um dia
também foram minhas.
É difícil me despedir de você.
Meu coração,
apertado demais para caber em si mesmo,
ainda procura o som
dos teus passos.
Então eu tento.
Tento não pensar.
Tento não chorar.
Tento não sentir.
Mas o amor é um hábito estranho:
continua voltando
mesmo quando a porta está fechada.
E ainda assim
eu preciso
deixar você ir.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Passa depois que eu não ligo.
Não ligo desde que tudo seja perfeito
desde que meu coração não caiba no peito.
Passa depois que eu não ligo.
Desde que tudo faça sentido,
desde que possa te ter aqui comigo,
por toda nossa eternidade.
Passa mais tarde, mas vê se passa.
Faça todos esses anos terem um significado
Além de
desgosto,
espera,
pecado.
Passa na hora que quiser,
mas venha sorrindo.
Venha triste,
mas ainda sentindo.
Quase morto,
mas ainda exibindo
os olhos que não cansam de brilhar.
Passa por mim,
ainda que nada seja assim.
Faz do jeito que quiser,
te aceito como vier.
Mas passa.
Mas passa por mim.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Dias saturados
de pressa
e de pressão.
Horas que não passam.
Dias que se arrastam
pela casa
como animais feridos,
insistindo
em não morrer.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Enquanto uma irmã
contava os pulos da corda
um,
dois,
três,
a outra
calculava a distância
entre a cadeira
e o chão
Enquanto uma aprendia
a desafiar a gravidade,
a outra
negociava com ela
Depois vieram os gritos,
as portas abertas,
os olhos vermelhos,
os adultos abraçados
como quem tenta impedir
que o mundo continue a acontecer
Mas o mundo continuou.
No meio da sala,
a menininha sorriu.
E quando lhe perguntaram
se estava tudo bem,
respondeu:
— Oba.
Agora o quarto
é só pra mim.