Enquanto uma irmã
contava os pulos da corda
um,
dois,
três,
a outra
calculava a distância
entre a cadeira
e o chão
Enquanto uma aprendia
a desafiar a gravidade,
a outra
negociava com ela
Depois vieram os gritos,
as portas abertas,
os olhos vermelhos,
os adultos abraçados
como quem tenta impedir
que o mundo continue a acontecer
Mas o mundo continuou.
No meio da sala,
a menininha sorriu.
E quando lhe perguntaram
se estava tudo bem,
respondeu:
— Oba.
Agora o quarto
é só pra mim.