Manual de conter água

Te guardo,
te recolho,
te encolho.

Te pego,
te escondo,
te estico.

E então —
o grito.

Te amo e te seguro
por entre as grades,
por entre o muro,
por entre a fresta
do alçapão.

E você entra.

Como quem sempre soube a combinação do cadeado.

E pela fresta, vejo festa.

Me derruba,
me ergue,
me esconde nos teus braços,
me embaraça
entre os teus dedos.

Já não ligo para nada.

Só persisto.

(Ainda) existo.

Como a água
que continua correndo
mesmo depois
de perder

o rio.

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